GOVERNO DEVE REJEITAR FIRMEMENTE PRESSÃO AMERICANA PRÓ-TRANSGÉNICOS

2012/01/12 _ Revelada carta do embaixador americano em Lisboa
Foi hoje revelado pela Agência Lusa que a Embaixada Americana em Lisboa pressionou a Ministra da Agricultura, a Assembleia Legislativa e o Governo Regional dos Açores no final de 2011 para que não seja criada a zona livre de transgénicos já anunciada pelo executivo regional...

Apareceu nova praga devido ao cultivo de milho transgénico

Striacosta albicosta

Nos Estados Unidos, o milho geneticamente modificado do tipo Bt-Cry1Ab (que produz uma determinada toxina insecticida, como o MON 810 que é cultivado em Portugal) está a ser infestado por uma nova praga, o "western bean cutworm" (Striacosta albicosta), um tipo de lagarta-de-rosca. Os problemas começaram a ser observados no ano 2000. Historicamente esta lagarta estava confinada a regiões muito limitadas do Oeste americano e não tinha impacto significativo no milho. Mas na última década este insecto alastrou para o Iowa, Minnesota, Illinois, Missouri, Indiana e Wisconsin e já está a causar impacto económico. Em 2009 foi detectado pela primeira vez no Canadá.

De acordo com a literatura científica, trata-se de um exemplo de "substituição de pragas", algo que também se verifica na agricultura intensiva com forte uso de pesticidas. Ou seja, ao eliminar um insecto (por causa da produção de Bt na planta transgénica), fica livre um "espaço" que depois é ocupado por um insecto de outra espécie, um concorrente. Porque o milho transgénico está a ser cultivado em vastíssimas áreas do território americano, esta lagarta-de-rosca está a espalhar-se na mesma proporção. A lição? Algo do género "tapou-se um buraco para abrir outro maior..."

Para saber mais leia este relatório: New Pest in Crop Caused by Large Scale Cultivation of Bt Corn.

Pergunta: O que é que Bruxelas e a Escócia têm em comum?

Resposta: Ambas são contra o cultivo de transgénicos. No caso de Bruxelas a declaração como zona livre de transgénicos foi difundida à imprensa no passado mês de Setembro, para a Escócia a divulgação pública da sua posição política aconteceu este mês. À cidade e à região, parabéns pela coragem, empenho e defesa da sustentabilidade agrícola.

Inocência perdida

Longe vai o tempo em que as universidades eram financiadas apenas com dinheiros públicos e cumpriam o propósito de trabalhar para o bem comum, com independência e generosidade. As últimas décadas trouxeram-lhes uma infusão generalizada de financiamentos privados e, com eles, as respectivas influências e interesses especiais. É difícil acreditar que as instituições de ensino superior que dependem das grandes bolsas das multinacionais possam estar à vontade para se posicionar de forma crítica em relação à "mão que as alimenta" quando a tal pudessem sentir-se compelidas. A verdade é, para avaliar actualmente a ciência, não basta perguntar pelas credenciais de quem aproduziu mas também pelo nome de quem a financiou.

Foi agora publicado um relatório detalhado (Big Oil Goes to College) de mais um desenvolvimento que aponta o nível de interferência a que as universidades já se sujeitam. Trata-se de um conjunto de "parcerias de investigação" com somas que atingem as centenas de milhões de dólares e abrange uma dezena de universidades americanas de topo. Estas somas destinam-se em grande medida ao desenvolvimento de biocombustíveis e outras fontes de energia. A questão central é que os representantes da indústria têm assento e voto nos órgãos universitários que vão decidir a utilização dos fundos, e efectivamente vão poder conduzir e formatar o tipo de investigação a ser desenvolvido nestas áreas durante a próxima década, o que para todos os efeitos determina também aquilo que vai acabar por chegar ao mercado. Têm também em primeira mão o acesso às patentes obtidas. Para todos os efeitos, as universidades colocaram-se ao serviço da indústria.

Transferência Inesperada de Genes

Cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, descobriram uma via até agora desconhecida através da qual os transgenes podem escapar para o ambiente. Quando estudavam interacções entre certas bactérias, fungos e plantas, em zonas onde a planta tem alguma ferida superficial, a equipa encontrou um processo, mediado por uma hormona da própria planta, que leva a que genes da planta sejam levados pela bactéria para o fungo. Quando a planta é transgénica, os transgenes podem naturalmente passar também e, assim, espalhar-se por mecanismos até agora não-equacionados e com riscos por enquanto desconhecidos.

Segundo Gary Foster, um dos autores da investigação, "este trabalho sugere que o encontro entre esta bactéria e um fungo na superfície da planta pode levar ao fluxo genético de uma forma inesperada, levando potencialmente à libertação de transgenes no ambiente natural." Com a publicação deste artigo, Investigating Agrobacterium-Mediated Transformation of Verticillium albo-atrum on Plant Surfaces, não pode mais ignorar-se esta via de contaminação ambiental e todas as avaliações de impacto de transgénicos no ambiente terão de estudar o risco a ela associado.

FINANCIAMENTO PELA INDÚSTRIA INTERFERE NOS ESTUDOS SOBRE ALIMENTOS TRANSGÉNICOS

2011/05/11 _ Informação agora publicada põe em causa OGM
Investigadores da Universidade Católica Portuguesa publicaram um artigo científico* onde se verifica que interesses comerciais influenciaram publicações sobre os riscos para a saúde de alimentos geneticamente modificados...

Açores em busca da zona livre de OGM - e da nossa ajuda!

Paisagem açoreana

2011/05/10 - As associações Amigos dos Açores e Gê-Questa lançaram hoje uma petição pública para recolher assinaturas a favor da criação de uma zona livre de transgénicos na Região, e pedem a colaboração de todos. Para assinar basta ir a www.amigosdosacores.pt/ogm.
O Princípio da Precaução e a necessidade de proteger a agricultura do território de uma poluição genética irreversível são duas das principais razões apontadas. A Plataforma Transgénicos Fora congratula-se com a iniciativa e espera que o Governo Regional saiba prestar atenção.

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