Cultivo de transgénicos

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      - 2011
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Ver os gráficos com a evolução do cultivo de milho transgénico em Portugal
Ver os gráficos com a evolução do cultivo de transgénicos na União Europeia


França e Itália: dois grandes produtores de cereais, duas proibições ao cultivo de milho transgénico

 

2014/04/15 - Segundo um despacho da agência Reuters de hoje, a câmara baixa do Parlamento francês aprovou uma lei que proibe o cultivo de toda e qualquer variedade de milho geneticamente modificado em solo nacional devido aos seus impactos ambientais. Esta decisão vem na sequência de um decreto governamental publicado há cerca de dois meses e que suspendia temporariamente esses cultivos. Em Itália a proibição do milho transgénico MON 810 já vem de 2013 e conta com um apoio massivo de 80% da população, mas foi recentemente reforçada por um tribunal regional italiano. Note-se que a França e a Itália são, respetivamente, o 6º e 8º maior produtor mundial de milho, o que mostra a importância do cultivo deste cereal nesses países. E se eles, que levam o cultivo de milho a sério, proibem as variedades transgénicas, Portugal faria bem em pensar duas vezes antes de continuar a cultivar qual beco sem saíde.

Evolução do cultivo de transgénicos na União Europeia

O cultivo de transgénicos (milho e batata) na União Europeia desde a primeira autorização comunitária de 2004 (se clicar na imagem pode vê-la em tamanho maior).

A área cultivada com transgénicos em 2011 apresenta uma subida de cerca de 32 mil hectares em relação ao ano anterior. Esse aumento provém de dois países: Espanha, com uma subida de 29 mil hectares, e Portugal, em que o aumento foi de 3 mil hectares. Nos outros países - no total são apenas seis países que cultivam milho (Espanha, Portugal, Eslovénia, Roménia e República Checa; na Polónia também parece haver cultivo, mas potencialmente ilegal) - o cultivo estagnou e apresenta apenas ligeiras flutuações. No total a área cultivada na União Europeia é mínima: apenas 0,06% da área agrícola na UE está dedicada aos transgénicos. Entrentanto há seis países que continuam com proibições formais de cultivo: França, Alemanha, Áustria, Grécia, Hungria e Luxemburgo). Em 2010 começou na União Europeia o cultivo da batata Amflora, mas em 2011 a Amflora só foi produzida em 2 hectares na Alemanha e em 16 ha na Suécia. O futuro dirá se este aumento em 2011, o primeiro desde que o cultivo começou em 2005, se vai acentuar ou se não passou de um soluço. Está aqui disponível a fonte dos dados de 2009 a 2011. Pode consultar também a análise feita em 2009.

Cultivo mundial de transgénicos: divulgados dados de 2011

2012/02/07 - Foram hoje anunciados os dados do ISAAA relativos ao cultivo de transgénicos em 2011, e vale a pena fazer o ponto da situação.


O mapa dos cultivos de transgénicos a nível mundial, preparado pelo jornal The Guardian com base nos números da indústria hoje apresentados (se clicar na imagem pode vê-la em tamanho maior).

O ISAAA é uma entidade financiada pela indústria, incluindo empresas como a Monsanto, a Bayer e a CropLife International. Em geral o estilo do relatório é um pouco diferente dos de anos anteriores: neste as promessas são remetidas para um futuro mais distante e as verdades inconvenientes são liminarmente ignoradas (como o anúncio pela BASF de que ia abandonar o mercado dos transgénicos na União Europeia, ou a impossibilidade de ver, até agora, a beringela transgénica aprovada na Índia e o arroz transgénico aprovado na China). Noutros casos, é referida apenas a parte que interessa: descreve-se a decisão do tribunal onde se determinou que a decisão de proibir o cultivo de milho transgénico em França era irregular e estava anulada, mas nada é dito sobre o facto de que o governo francês já iniciou novo processo de proibição.

O ilusionismo matemático, por outro lado, é uma constante ao longo dos anos nestes relatórios. Por exemplo, os dois (DOIS!) hectares de batata transgénica na Alemanha são apresentados na principal tabela e imagem deste relatório como "

Além disso, segundo organizações como a Greenpeace e a Food and Water Europe, o ISAAA usa de grande criatividade nos seus números: se um hectare estiver cultivado com uma planta que tem três transgenes, esse hectare entra para as contas como sendo TRÊS hectares.

Algumas afirmações do relatório são passadas como pertencendo ao domínio da realidade sólida quando na verdade ainda existem apenas no mundo da ficção científica. Por exemplo, na página 16 o relatório afirma, entre outros, que "os transgénicos conseguem ultrapassar stresses abióticos (através de tolerência à seca e salinidade)", mas a realidade é que não está comercializado, EM PAÍS ALGUM DO MUNDO, qualquer transgénico com alguma destas características.

E há alturas em que o relatório simplesmente... mente: na página 21 afirma que "o melhoramento convencional de batata é muito caro tanto em tempo como em recursos e, por si só, não conseguiu nem vai conseguir obter resistência durável ao míldio", mas são bem conhecidas as batatas Sárpos, precisamente por serem obtidas por melhoramento convencional e terem a necessária resistência o míldio, entre outras vantagens.

Que conclusões globais podem ser razoavelmente retiradas dos dados apresentados?
- Que a área total de cultivo continua a aumentar, embora provavelmente a uma velocidade menor do que a publicada;
- Que as características transgénicas cultivadas no mundo continuam a ser essencialmente duas: tolerância a herbicidas e resistência a insetos, muito embora muitas outras promessas venham a ser feitas há anos;
- Que o cultivo está profundamente concentrado: 7 países apenas cultivam 94% de todos os transgénicos (e só os Estados Unidos cultivam 43% da área total);
- Que a área cultivada na União Europeia é mínima: apenas 0,06% da área agrícola na UE está dedicada aos transgénicos (a Espanha é o único país com uma área significativa e há seis países com proibições de cultivo - França, Alemanha, Áustria, Grécia, Hungria e Luxemburgo);
- Que a área cultivada no mundo com transgénicos, apesar de elevada, não ultrapassa os 3% da área agrícola: 97% da agricultura mundial continua livre de transgénicos (segundo a FAO, a área agrícola total é de 4,9 mil milhões de hectares).

Evolução do cultivo de milho transgénico em Portugal - II

Dezembro de 2011 - Foram finalmente divulgados os dados oficiais relativos a 2011 sobre o cultivo de milho transgénico em Portugal, e a partir daí pode analisar-se a evolução portuguesa ao longo dos últimos anos.

O gráfico abaixo (todos os gráficos foram construídos com base nos números oficiais publicados pelo Ministério da Agricultura) mostra a evolução da área cultivada ao longo dos anos desde que o milho transgénico MON 810 foi autorizado em Portugal (se clicar nas imagens pode vê-las em tamanho maior):

Relativamente a 2010 houve um aumento de cerca de 2900 hectares, o que corresponde a 2% do total da área cultivada com todo o tipo de milho em Portugal. Este aumento não foi homogéneo: enquanto que a área cultivada com transgénicos diminuiu ligeiramente no Norte e no Centro, ela aumentou bastante na região de Lisboa/Vale do Tejo e no Alentejo. Esta última região verificou a subida mais significativa: cerca de 2100 hectares de área adicional.

A região do Algarve continua sem transgénicos pelo segundo ano consecutivo mas os Açores entraram pela primeira vez no mapa dos cultivos, com uma área mínima: dois hectares e meio.

O próximo gráfico mostra a percentagem de crescimento em cada ano relativamente ao ano anterior:

Enquanto que em 2007 se tinha verificado um aumento muito visível na área cultivada, desde então as variações têm sido muito mais modestas e, no que toca a 2010, negativas (visto que tinha havido redução da área cultivada relativamente a 2009). Mesmo a subida de 59% em 2011 está muito longe dos 235% registados em 2007.

Finalmente neste outro gráfico pode ver-se a proporção da área cultivada com milho transgénico relativamente à área total dedicada ao milho em Portugal:

[Os valores da área total dedicada ao milho em Portugal (milho grão e milho para silagem) empregues neste cálculo são os disponibilizados pela Associação Nacional e Produtores de Milho e Sorgo em http://www.anpromis.pt/areas-de-milho-2004-a-2011.html]

Embora o milho transgénico tenha ganho terreno dentro do cultivo global de milho em Portugal, verifica-se que não conseguiu sequer atingir ainda o patamar dos 10%. Ou seja, continua a ser verdade que o milho transgénico em Portugal é uma opção residual, longe de encantar a maioria dos produtores.

Não é de descartar a hipótese de que a adesão aos transgénicos possa continuar a subir no futuro. A pressão do governo americano poderá facilmente ser a razão por detrás dessa tendência.

Cultivo comercial de milho transgénico em 2011

Dezembro de 2011 - O Ministério da Agricultura continua sem pressa e só recentemente divulgou a súmula dos cultivos de milho transgénico MON 810 em Portugal para a época agrícola de 2011. São estes os documentos oficiais por região e para o país todo:

Síntese Nacional
Região Norte
Região Centro
Região de Lisboa e Vale do Tejo
Região do Alentejo
Região Autónoma dos Açores

Vale a pena ver os gráficos com a evolução dos cultivos desde 2005.

Consulte também os dados parcelares dos anos anteriores:
2010
2009
2008
2007
2006
2005

Evolução do cultivo de milho transgénico em Portugal - I

Dezembro de 2010 - Agora que já foram divulgados os números oficiais relativos a 2010 sobre o cultivo de milho transgénico em Portugal, vale a pena olhar para as tendências e tentar perceber o que nos dizem. Note-se que todos os gráficos foram construídos com base nos números oficiais sobre transgénicos publicados pela Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Ministério da Agricultura.

Vejamos o gráfico com a evolução da área cultivada ao longo dos anos desde que o milho transgénico MON 810 foi autorizado em Portugal:
Fica claro que, pela primeira vez desde 2005, a área cultivada com transgénicos foi mais pequena este ano do que no ano passado. Também pela primeira vez uma região "desapareceu do mapa": em 2010 o Algarve deixou de ter cultivos transgénicos (entre 2007 e 2009, ao arrepio da vontade política da região, apenas a Herdade da Lameira, em Silves, tinha cultivado anualmente entre 40 e 50 hectares de milho transgénico).

O decréscimo referido também pode ser observado neste gráfico que mostra a percentagem de crescimento em cada ano relativamente ao ano anterior:

Finalmente vale a pena olhar para este outro gráfico, que mostra a proporção da área cultivada com milho transgénico relativamente à área total dedicada ao milho em Portugal:

[Os valores da área total dedicada ao milho em Portugal (milho grão e milho para silagem) empregues neste cálculo são os disponibilizados pela Associação Nacional e Produtores de Milho e Sorgo em www.anpromis.pt/areas-de-milho-2004-a-2009.html]

Note-se que a área total de milho em Portugal baixou 2.8% de 2009 para 2010, pelo que seria de esperar que o cultivo de transgénicos pudesse igualmente sofrer alguma contracção. Mas acontece que a área com transgénicos desceu muito mais: houve 6.4% de decréscimo de 2009 para 2010. Ou seja, o peso dos transgénicos no contexto da produção global reduziu-se de 3.8% para 3.7%, o que demonstra um aumento real de desinteresse e abandono dos transgénicos.

O que é que todos estes números efectivamente mostram? Que, ao contrário do que muitos nos querem fazer crer, o cultivo de milho transgénico está a enquistar em Portugal em zonas residuais relativamente ao cultivo de milho em geral. E se o Ministério da Agricultura, em vez de promover uma tecnologia patenteada cujo lucro reverte directamente para multinacionais estrangeiras, desse atenção e apoiasse o desenvolvimento de processos e boas práticas capazes de resolver de forma ecológica e sustentável o problema da broca do milho, a adesão ao milho transgénico perderia qualquer interesse para os produtores portugueses.

Cultivo comercial de milho transgénico em 2010

Dezembro de 2010 - Embora normalmente o faça em Junho, o Ministério da Agricultura só recentemente divulgou a súmula dos cultivos de milho transgénico MON 810 em Portugal para a época agrícola de 2010. São estes os documentos oficiais por região e para o país todo:

Síntese Nacional
Região Norte
Região Centro
Região de Lisboa e Vale do Tejo
Região do Alentejo
Vale a pena ver os gráficos com a evolução dos cultivos desde 2005.
Consulte também os dados parcelares dos anos anteriores:
2009
2008
2007
2006
2005

A reacção à batata transgénica

ACTUALIZAÇÃO EM 2010/10/05 - A contestação à batata Amflora não pára de crescer e já corre em tribunal. Em Maio a Hungria tinha dado entrada no Tribunal Europeu de Justiça do pedido de anulação da autorização. Desde então já quatro países se propuseram para co-queixosos: Áustria, Luxemburgo, França e, há poucos dias, a Polónia.


Pode ler aqui as justificações científicas para a queixa da Hungria, que incluem o facto de a Amflora possuir um gene de resistência a antibióticos de interesse terapêutico. O cultivo em grande escala desta planta pode conduzir ao aparecimento de bactérias resistentes o que se traduz em maiores dificuldades no tratamento das doenças que elas causem.

No caso da França foram publicados dois pareceres oficiais, um do ponto de vista científico e outro versando os aspectos éticos, económicos e sociais. Este último parecer refere que a aprovação da Amflora poderá ser ilegal pela simples razão de que não está contemplada na legislação europeia. Ou seja, em termos da alimentação humana a Amflora foi apenas aprovada como contaminante e não como alimento propriamente dito - algo que a lei não prevê. O parecer de índole científica menciona, entre outros aspectos, que os estudos apresentados sobre a Amflora têm um poder estatístico tão baixo que não permitem detectar impactos negativos, mesmo que eles existam. Ou seja, o comité não consegue concluir se a Amflora faz ou não mal à saúde com base nos dados existentes.

ACTUALIZAÇÃO A 2010/09/08 - Veja porque é que a BASF está a dar razão a todas estas contestações.

2010/06/18 - Desde que a Comissão Europeia deu luz verde à batata transgénica Amflora em Março deste ano, para fins de cultivo em solo europeu, as reacções não se fizeram esperar.

Primeiro o ministério da saúde austríaco anunciou que a Amflora ia ser proibida no país.

Depois várias associações europeias anunciaram que iam levar o dossier a tribunal, nomeadamente devido à presença na Amflora de um gene de resistência a antibióticos que, segundo a legislação em vigor, impediria automaticamente a sua aprovação.

Há dois dias foi a vez do Luxemburgo que, através do seu ministro da saúde, acabou de anunciar a proibição de cultivo da Amflora no seu país.

E hoje foi anunciado oficialmente pelo Ministério de Desenvolvimento Rural húngaro que a Amflora está igualmente proibida neste país, tanto para cultivo como para utilização industrial.

Más notícias para a Amflora da BASF, boas notícias para todos nós.

A BASF perdeu o controlo


2010/09/08 - O primeiro ano de cultivo da batata transgénica Amflora, aprovada sob grande contestação pela Comissão Europeia há poucos meses, tornou-se já um exemplo paradigmático da impossibilidade de manter o controlo e impedir que os transgénicos errados vão parar ao sítio errado.
Há dois dias atrás surgia a notícia de que estava a ser cultivada na Suécia desde Junho uma variedade de batata transgénica não autorizada. Essa variedade era a Amadea, também da BASF, que apareceu misturada num campo de batatas Amflora. A descoberta da quebra na biossegurança, aparentemente, foi das autoridades suecas e não da BASF, que é a responsável pelo terreno.
Ou seja, a própria BASF não conseguiu controlar e manter separadas as suas variedades transgénicas, e depois não soube sequer fazer os testes adequados para detectar a contaminação. A única explicação dada até agora por uma responsável da BASF foi de que "tinham enviado as batatas erradas para a Suécia".
Os outros dois países onde a Amflora está a ser cultivada são a República Checa e a Alemanha. Este último anunciou hoje a suspensão da colheita de Amflora no Estado de Mecklenburg-Vorpommern, onde a colheita tinha começado no dia 31 de Agosto com grande fanfarra e a presença de ministro.
Se a BASF consegue tamanha confusão nos primeiros seis meses, onde estaremos daqui a seis anos?

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