Riscos para o ambiente

Transferência Inesperada de Genes

Cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, descobriram uma via até agora desconhecida através da qual os transgenes podem escapar para o ambiente. Quando estudavam interacções entre certas bactérias, fungos e plantas, em zonas onde a planta tem alguma ferida superficial, a equipa encontrou um processo, mediado por uma hormona da própria planta, que leva a que genes da planta sejam levados pela bactéria para o fungo. Quando a planta é transgénica, os transgenes podem naturalmente passar também e, assim, espalhar-se por mecanismos até agora não-equacionados e com riscos por enquanto desconhecidos.

Segundo Gary Foster, um dos autores da investigação, "este trabalho sugere que o encontro entre esta bactéria e um fungo na superfície da planta pode levar ao fluxo genético de uma forma inesperada, levando potencialmente à libertação de transgenes no ambiente natural." Com a publicação deste artigo, Investigating Agrobacterium-Mediated Transformation of Verticillium albo-atrum on Plant Surfaces, não pode mais ignorar-se esta via de contaminação ambiental e todas as avaliações de impacto de transgénicos no ambiente terão de estudar o risco a ela associado.

O totobola dos transgénicos




Setembro de 2010 - A ciência, com todas as suas limitações, ainda assim não pára de acumular provas da instabilidade e imprevisibilidade das plantas transgénicas. Já se sabia que, quando as variedades transgénicas são criadas, se usam as variedades convencionais topo de gama como ponto de partida, e que portanto o aparente aumento de produtividade se deve de facto ao vigor dessas linhagens convencionais. Também se sabe que ao fim de algum tempo se instala a resistência, tanto em ervas daninhas como em insectos.

E agora cientistas suíços publicaram um trabalho que acrescenta mais alguns dados muito importantes. O que eles verificaram foi que, quando diferentes variedades transgénicas (de trigo, neste caso) com bons resultados em estufa eram cultivadas em campo aberto, tudo podia acontecer: quebras de produtividade (até 56%!) e maior susceptibilidade à doença (até 40 vezes mais!) foram os resultados mais dramáticos. Também encontraram uma quebra geral de vigor e maior vulnerabilidade aos stresses ambientais, para além de alterações na morfologia.

O que estes resultados mostram é que o processo de manipulação genética afectou profundamente a constituição da planta, de formas que só se tornam visíveis quando determinadas condições estão reunidas. Ou seja, um transgénico pode ter um comportamento relativamente normal... até ao dia em que muda um qualquer factor ambiental e a produtividade (ou outro aspecto importante) colapsa ou se torna deficiente.

Como é que podemos colocar a futura subsistência alimentar da espécie humana a depender de plantas com comportamento tão aleatório? Como é que podemos continuar a aprovar transgénicos para cultivo sem os sujeitar a pelo menos alguns testes de stress?

Eis o artigo científico respectivo: Transgene x Environment Interactions in Genetically Modified Wheat.

O herbicida Roundup é MUITO pior do que se sabia

Setembro de 2010 - Os testes que servem de base à legislação que define os valores máximos de pesticidas no ambiente avaliam o impacto do químico na ausência de qualquer outro stress. Acontece que o herbicida Roundup (cujo princípio activo é o glifosato) pode ter um impacto negativo na vida aquática muito superior ao que esses testes revelaram. Na Nova Zelândia testaram o efeito do glifosato num peixe de água doce, tanto na presença como na ausência de um parasita frequente. Acontece que, quando o peixe está na presença dos dois factores (glifosato e parasita) o impacto total é muito superior ao impacto de cada factor em separado. Ou seja, o glifosato tem um efeito sinergístico e magnifica as consequências da presença do parasita. Podem retirar-se duas conclusões deste estudo: os valores máximos legais parecem ser demasiado permissivos para realmente protegerem o ambiente, e o Roundup/glifosato afinal tem um lado negro até aqui desconhecido. Considerando que este químico é aplicado em dezenas de milhar de hectares de culturas transgénicas, quem protege o ambiente?

Veja o artigo científico aqui: Synergistic Effects of Glyphosate Formulation and Parasite Infection on Fish Malformations and Survival.

43 proteínas!


Setembro 2010 - Quem não ouviu já dizer que os transgénicos são iguais à planta original mais uma única proteína, a transgénica? Pois bem, nada poderia estar mais longe da verdade. Um trabalho realizado por equipas de duas universidade italianas revelou que, no caso do milho transgénico MON 810 (o mesmo que é cultivado em Portugal), a manipulação genética introduz uma profusão de alterações, para além de acrescentar a proteína nova propriamente dita. Foram detectadas mudanças nos níveis de expressão de 43 proteínas! Estas alterações - totalmente inesperadas - são atribuídas pelos cientistas ao processo de introdução do transgene. Um pouco como uma bomba atira estilhaços, também a entrada do transgene cria interferências em muitos outros pontos do genoma. Isto não prova que este transgénico represente um risco para a saúde, note-se, mas certamente prova que é claramente diferente da variedade de controlo. E isso é precisamente o que a indústria e a EFSA (Autoridade Europeia de Segurança Alimentar) se recusam a admitir.

Eis o artigo: Proteomics as a Complementary Tool for Identifying Unintended Side Effects Occurring in Transgenic Maize Seeds As a Result of Genetic Modifications.

Colza: A invasão

2010/08/06 - Foram hoje apresentados no congresso anual da Sociedade Americana de Ecologia os resultados de um trabalho de investigação relativo ao aparecimento de colza (um tipo de couve) transgénica em zonas não cultivadas. Os cientistas percorreram cerca de 5 mil quilómetros de estradas no estado do Dakota do Norte e a cada oito quilómetros recolheram amostras das ervas em estado selvagem que encontraram. Quarenta e seis por cento dessas amostras continham colza e, dentro das que continham colza, 80% continham colza transgénica. Esta colza GM era sobretudo de variedades da Monsanto, havendo também da Bayer. O mais interessante neste estudo foi o facto de terem sido encontradas plantas duplamente resistentes: com um transgene para o herbicida da Monsanto e outro para o da Bayer – algo que não existe no mercado.

O que significam estes resultados?

Primeiro, que a colza transgénica sobrevive bem sem a ajuda de ninguém: foram encontradas plantas na beira das estradas e terrenos agrícolas abandonados, mas também em estações de serviço, cemitérios, campos de bola e muitas outras zonas a grande distância de qualquer campo de colza.

Segundo, a colza transgénica não só sobrevive como se instala com à vontade e, ao longo de várias gerações, espalha os seus transgenes - só isso explica o aparecimento de plantas duplamente resistentes. E outras espécies selvagens "primas" da colza podem facilmente adquirir estes transgenes.

Terceiro, estas plantas já não podem ser combatidas pelos herbicidas mais usados, o que as pode transformar em invasoras agrícolas de difícil controlo.

Quarto, o nível de contaminação generalizada encontrado mostra que a regulamentação americana que é suposta evitar tal fenómeno não está a funcionar ou é muito insuficiente.

Quinto, ninguém sabe o que é que a introdução destes transgenes vai implicar ou alterar no equilíbrio dos ecossistemas onde aparecerem. E os ecossistemas já estão, em geral, tão stressados, que qualquer novo stress pode ser a gota de água.

E sexto, a indústria enganou-se. Segundo, por exemplo, o Dr Julian Little, do lobby pró-transgénicos Agricultural Biotechnology Council, "As plantas transgénicas são produções humanas e quando toca a competir com as suas homólogas selvagens não se dão nada bem". Este estudo, que encontrou comunidades bem instaladas de colza transgénica, vem demonstrar o contrário.

Contaminação de crucíferas (couves) selvagens

2010/07/02 - Uma associação ambientalista japonesa detectou no país pela primeira vez a contaminação de crucíferas selvagens (a família das couves e nabos) por transgénicos. Através de análises moleculares a plantas selvagens a crescer na beira das estradas (e como tal mais susceptíveis de se cruzarem com plantas transgénicas que germinam depois de cair de algum camião) foi encontrada uma taxa de contaminação de 93%: 13 em 14 plantas testadas continham transgenes de tolerância a herbicidas. A contaminação poderá estar generalizada, mas não se conhecem levantamentos mais abrangentes.

Peixes transgénicos à venda ilegalmente


2010/06/30 - Em Espanha foram descobertas duas espécies de peixes transgénicos que estão ilegalmente à venda desde 2004. Talvez ainda mais grave, esta descoberta foi feita por uma associação de vendedores de animais, e não pelo governo - já que não há qualquer tipo de fiscalização oficial para este tipo de transgénicos. Na União Europeia não está nenhum animal transgénico autorizado, pelo que estes peixes de aquário nunca poderiam ter entrado a fronteira comum. Os peixes foram manipulados para se tornar fluorescentes.
E em Portugal, quem (não) fiscaliza?

Transgénicos: Será que precisamos deles?

O professor Marco Antônio Záchia Ayub, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, Brasil) é doutor em Biologia Celular e Molecular e ensina na área da Biotecnologia e, para responder com mais facilidade a muitas questões dos seus alunos, publicou um documento que, numa linguagem acessível, desmonta numerosos mitos associados aos alimentos e culturas transgénicas. Para ler, basta clicar e descarregar: Alimentos Transgênicos - Será Que Precisamos Deles?.

Revelado aumento dramático no uso de pesticidas associado aos cultivos transgénicos


2009/11/17 - Um novo relatório publicado hoje enterrou o mito frequentemente ouvido de que as culturas transgénicas necessitam de menos pesticidas. Com números objectivos e oficiais do Departamento de Agricultura americano foi possível verificar essa subida significativa, resultante em grande medida do facto de que estão a aparecer cada vez mais infestantes resistentes aos herbicidas aplicados em transgénicos. Para o milho, soja e algodão transgénicos ocorreu um aumento acumulado de consumo de 144 mil toneladas de herbicida no total dos treze anos desde que se iniciou o seu cultivo nos Estados Unidos. Em média (dados de 2008), as culturas transgénicas obrigaram a um uso de mais 26% quilos de pesticida por hectare do que as culturas não-transgénicas.

Para ler o documento basta clicar: "Impacts of Genetically Engineered Crops on Pesticide Use - The First Thirteen Years"

Conteúdo sindicado