Consumo de transgénicos

Nova sondagem sobre as preferências europeias

Novembro de 2010 - Foi publicado pela Comissão Europeia um novo levantamento do Eurobarómetro com dados de 2010 relativos à posição dos consumidores dos vários Estados-Membros face a diferentes tecnologias, entre as quais os alimentos transgénicos. Dois aspectos são particularmente relevantes para Portugal e merecem menção especial.

1 - A oposição aos transgénicos está a crescer em Portugal

No gráfico abaixo mostra-se a evolução do sentir público, tal como descrita pelo Eurobarómetro. A azul está a situação portuguesa. A vermelho, para referência, mostra-se a situação francesa. Curiosamente o ano de 1999, onde se verificou um pico de desagrado, foi também o único ano em que se cultivou milho transgénico em Portugal no último século. Desde 2005 até agora, precisamente quando o cultivo de transgénicos recomeçou em Portugal, é muito significativa a subida da desaprovação nacional. (Clique no gráfico abaixo para ver a imagem ampliada.)



2 - Portugal está muito mal informado sobre transgénicos

Considerando todos os países da União Europeia, e ainda alguns outros, o Eurobarómetro mostra que percentagem da população já ouviu falar em transgénicos. A situação portuguesa é tão dramática que chega a ser embaraçosa: somos dos mais mal informados da Europa, apenas à frente de Malta, e estamos 36 pontos percentuais abaixo da Alemanha! Note-se ainda que em Malta não há cultivo de transgénicos, pelo que é natural que a controvérsia (e a discussão na imprensa) seja menor. (Clique no gráfico abaixo para ver a imagem ampliada.)



Polegares para cima e para baixo


Em 7 de Julho de 2010 os eurodeputados da União tiveram a oportunidade de mostrar o que pensavam sobre o direito dos consumidores à rotulagem de alimentos provenientes de animais alimentados com rações transgénicas. Considerando que quase todos os transgénicos em circulação se destinam a aviários, suiniculturas e pecuárias, torna-se crucial conhecer quais ovos, leite, carne (e peixe, para aquaculturas) e seus derivados provêm desse tipo de cadeia alimentar.

No que toca aos nossos eurodeputados, o resultado foi lamentável: se a votação tivesse sido só com portugueses, a proposta de rotulagem era liminarmente chumbada. Embora o Bloco de Esquerda e o PCP tenham votado unanimemente a favor da rotulagem, no PSD e no PP todos votaram contra. O PS dividiu-se: Vital Moreira absteve-se, Capoulas Santos e Correia de Campos votaram contra, e só os restantes quatro votaram a favor.

Se sentir que há alguns eurodeputados a precisar de ouvir de que lado estão os interesses do consumidor, pode consultar os seus emails aqui.

No final a proposta não passou: era necessária maioria absoluta (369 deputados a favor) e houve apenas maioria simples (351 a favor e 296 contra). Se todos os deputados portugueses tivessem votado a favor, teríamos ficado a apenas 6 votos de atingir a maioria absoluta.

A Batata Dourada

2009/09/05 - Já muitas pessoas ouviram falar do arroz dourado: é um arroz geneticamente modificado para produzir pró-vitamina A e assim ajudar a combater a cegueira e que, ao fim de mais de dez anos e muitos milhões de investimento, continua em desenvolvimento e não curou ninguém.
Mas agora ficámos a saber que nem sequer é necessário. Existem iniciativas no terreno que, com uma abordagem muito simples, directa e low tech, conseguiram já resultados notáveis. Uma delas é a que começou a ensinar (primeiro em Moçambique, a seguir noutros países africanos) a usar batata doce alaranjada em substituição da batata doce branca. A versão alaranjada, que é uma variedade natural, não transgénica, é muito rica em vitamina A e está a ser adoptada com grande entusiasmo - é até empregue para fazer pão. O sucesso foi de tal ordem que a organização envolvida, a Helen Keller International, ganhou a 3ª edição do Prémio da Visão da Fundação António Champalimaud (no valor de um milhão de euros).
Quando já há soluções simples, baratas, com provas dadas e prontas a usar, porque é que se continua a insistir no que é caro, ninguém quer, não dá nenhumas garantias e nem sequer está disponível?

Veja outras notícias sobre este trabalho e a atribuição do prémio:
Uma Batata Contra a Cegueira
Batata-doce está a Salvar Crianças da Cegueira

Na vanguarda da genética?

Foi com grande prazer que a Plataforma Transgénicos Fora encontrou a foto do 'Frango tipo Leitão' na edição de 24 de Maio de 2007 da revista Visão, uma imagem obtida pela Plataforma em 2005, no Porto. O objectivo à data foi, e mantém-se, chamar a atenção para o risco que representa a introdução de organismos geneticamente modificados (plantas e animais transgénicos) na nossa alimentação e ambiente. Não apenas pela confusão decorrente da nossa falta de preparação para tais evoluções tecnológicas, mas também pelo que de visceralmente nos repugna o "baralhar e voltar a dar" de genes e espécies que a Natureza entendeu por bem manter separados. Esta foto é, assim, uma visão antecipada desse admirável mundo novo que, na ausência de mobilização e rejeição dos portugueses, nos espera a todos. Mas para já, e felizmente, a engenharia genética ainda não chegou aos frangos dos pacatos cafés na Invicta profunda.

E os produtos animais?

A esmagadora maioria dos produtos animais à venda em Portugal é proveniente de explorações pecuárias onde se utilizam rações transgénicas. Não há rotulagem, pelo que a carne, o leite, os ovos, o peixe (de aquacultura) e todos os produtos derivados não trazem qualquer indicação (a não ser que sejam biológicos, e nesse caso as rações transgénicas estão proibidas). A Plataforma Transgénicos Fora realizou um inquérito no início de 2007 que identificou algumas empresas que garantem uma cadeia alimentar livre de rações transgénicas. Descarregue abaixo a lista dessas marcas e produtos, de acordo com a informação recebida das empresas.

Hipermercados: Quem usa o quê?

A Plataforma Transgénicos Fora realizou no início de 2007 um inquérito a todas as cadeias de hipermercados, com os resultados apresentados abaixo. A lista verde apresenta as grandes superfícies que, de acordo com os dados por elas fornecidos, não empregam quaisquer ingredientes transgénicos nos seus alimentos de marca própria. A lista negra apresenta as que usam ingredientes transgénicos ou que não responderam ao nosso inquérito. Esta informação será actualizada na medida da informação disponível. Os produtos biológicos são sempre produzidos sem transgénicos.

A Lista Negra

A Plataforma Transgénicos Fora realizou no início de 2007 um inquérito às 100 maiores empresas alimentares portuguesas. A lista abaixo apresenta as marcas e empresas que usam ingredientes transgénicos ou que não responderam ao nosso inquérito. Esta informação será actualizada à medida que for sendo reunida mais informação. Os produtos biológicos são sempre produzidos sem transgénicos.

A Lista Verde

A Plataforma Transgénicos Fora realizou no início de 2007 um inquérito às 100 maiores empresas alimentares portuguesas. A lista abaixo apresenta as marcas e empresas que, de acordo com os dados por elas fornecidos, não empregam quaisquer ingredientes transgénicos nos seus alimentos. Esta informação será actualizada à medida que nos forem chegando mais respostas. Os produtos biológicos não estão especificamente referidos pois são sempre produzidos sem transgénicos.

A opinião dos portugueses

Descarregue abaixo (são 6,5 MB!) a parte sobre OGM do Relatório do Estado do Ambiente de 2003, publicado pelo Ministério do Ambiente. A parte mais interessante está na última página. A partir da figura com os resultados do estudo do Observa (II Inquérito Nacional às Representações e Práticas dos Portugueses sobre o Ambiente), e se retirarmos os 29% de portugueses que não sabem/não respondem, ficamos com estas estatísticas para a população nacional que tem opinião:

Os OGM devem ter mais garantias de que não são prejudiciais para a saúde - 46.4%
Os OGM deveriam ser banidos do mercado - 28.2%
Os OGM devem ser comercializados desde que devidamente rotulados - 22.5%
Os OGM devem ser comercializados sem restrições - 1.4%

Ou seja: neste momento 74.6% dos portugueses com opinião não querem que os OGM sejam comercializados. Não é interessante?

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