Glifosato: Chegou a hora

Glifosato - o herbicida mais usado em Portugal e no mundo – é um bom exemplo dos conflitos da era em que vivemos. Representa ao mesmo tempo a libertação do trabalho mais penoso na produção agrícola (o controle de ervas) graças ao seu baixo preço e simplicidade de aplicação e, por outro lado, despoletou a maior mobilização cidadã a nível mundial para exigir a proibição imediata de um pesticida.

Poema

t®ansgênesis

g®ava teu nome
em cada g®ão
de milho & t®igo

mammon
$anto

sobre tua
natu®a

o sol
ainda
brilha

grátis

 

Luiz Roberto Guedes

Glifosato e o poder de corromper

A revista Visão publicou no final de 2017 o artigo "A guerra tóxica do glifosato" sobre o confronto de forças no debate intercontinental relativo ao herbicida mais vendido no mundo. O texto não é imparcial ou objetivo, nem parece ter havido essa intenção por parte do jornalista que o assina. Para esclarecer ao pormenor muitas das falhas factuais e de lógica no artigo da Visão descarregue aqui o comentário parágrafo a parágrafo da autoria da bióloga Margarida Silva.

PORTUGAL VOTA ESTA SEMANA O DESTINO DO HERBICIDA GLIFOSATO

2017/11/07 _ Com o maior nível de contaminação de toda a União Europeia

É esta quinta, 9 de novembro, a votação em Bruxelas onde deverá ficar decidido o futuro do glifosato – o herbicida mais usado em Portugal. A Comissão Europeia pretende a renovação da licença, que expira já a 15 de Dezembro, mas não tem conseguido apoio suficiente por parte dos Estados Membros. O Ministério da Agricultura português (que se absteve na reunião anterior) é chamado a defender os interesses do país e juntar-se aos que exigem o fim do glifosato – a única opção defensável, considerando as evidências já acumuladas a nível nacional e não só...

Glifosato: Autoridades infringem sistematicamente as regras

2017/08/01 - Tudo indica que nos próximos meses será tomada a decisão sobre a eventual renovação da licensa do glifosato a nível europeu. Este processo, que se arrasta há vários anos, recebeu parecer positivo por parte do Estado Membro relator (Alemanha), da EFSA (Agência Europeia de Segurança Alimentar) e da ECHA (Agência Europeia dos Produtos Químicos) - que anuiram quanto à natureza não carcinogénica deste herbicida. A Organização Mundial de Saúde (OMS), por outro lado, classificou o glifosato em 2015 na categoria 2A, dando como provado que causa cancro em estudos com animais de laboratório e que (a nível humano) as evidências também apontam nesse sentido mas sem uma demonstração definitiva da relação causa-efeito.

Desde então o diferendo visível entre a OMS e a EFSA/ECHA tem vindo a ser analisado dos mais diversos ângulos, e já se podem retirar algumas ilações. A principal é que o relatório europeu é, na verdade, um documento preparado pela Glyphosate Task Force - uma estrutura da indústria - e anotado apenas pelo BfR (Bundesinstitut für Risikobewertung) alemão... de acordo com o próprio BfR. O conflito de interesses (a que não deve ser alheio o facto de a Comissão de Pesticidas do BfR incluir representantes da indústria) embutido neste trabalho é por demais evidente e isto por si só devia ser suficiente para rejeitar o documento e todo o processo subsequente que nele assentou.

A nível científico propriamente dito os pareceres da EFSA e da ECHA apresentam falhas profundas, que dificilmente poderão ser atribuídas à ingenuidade ou distração dos responsáveis envolvidos. A análise agora publicada demonstra que as duas agências chegaram à sua conclusão ignorando evidências, descartando estudos sem qualquer justificação e violando sistematicamente as diretrizes por que se deviam reger. Estas não são acusações levianas: os exemplos estão apresentados com todo o detalhe no documento. É difícil de acreditar que o falhanço institucional e humano tenha atingido tal dimensão até que se lê como tudo sucedeu, passo a passo. A situação é de tal ordem que, na sequência da publicação deste relatório, a ECHA já reconhece "desafios científicos", por exemplo "no que toca à estatística" - prometendo uma resposta detalhada durante este mês de agosto.

A verdade é simples: existem dados suficientes - provenientes dos estudos DA PRÓPRIA INDÚSTRIA - para concluir que o glifosato causa cancro. A grande questão é se os governos vão ter força suficiente para dizer NÃO a mais contaminação e doença.

Descarregue aqui o relatório - Glifosato: Autoridades infringem sistematicamente as regras

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