A Noruega diz NÃO às sementes geneticamente modificadas

A Noruega diz NÃO às sementes geneticamente modificadas

2010/02/16 – “O principal instrumento para a segurança alimentar global é a produção alimentar nacional. Cada país tem a obrigação de fornecer alimento à sua própria população. Os desafios fundamentais relacionados com a fome não podem ser resolvidos apenas pelo comércio” assim acredita o Ministro da Agricultura e Alimentação da Noruega, Lars Pedder Brekk.

Sendo a agricultura a segunda maior indústria nacional da Noruega, fornecendo metade das necessidades do povo norueguês, não admira que ele veja, tal como a Índia, a necessidade de apoiar os agricultores do seu país face aos desafios da Organização Mundial de Comércio (OMC).

Nós afirmamos que a agricultura está ligada ao local onde as pessoas vivem, onde têm as suas casas; queremos produção em todas as regiões do país” disse ele num encontro com jornalistas do jornal The Hindu.

Para esse fim, os agricultores da Noruega são fortemente subsidiados através de um longo processo de consulta entre governo e cooperativas de agricultores que tem lugar todos os anos – um instrumento político que está a ser desmembrado devido aos acordos de liberalização da OMC. Mas, diz ele, os subsídios não são apenas uma questão económica, existe também a questão de assegurar os meios de subsistência rurais.

O seu governo disse “Não” às sementes geneticamente modificadas e outras importações – três pedidos para o milho transgénico estão ainda pendentes. O ministro disse que o seu governo estava a seguir um caminho diferente para aumentar a produtividade das colheitas, explorando o potencial das sementes para serem eficientes em termos de água e nutrientes.

Sabemos que vamos enfrentar as empresas multinacionais, elas patentearam os seus produtos e pretendem vendê-los na Noruega” disse o ministro. “Mas quem é que queremos que dirija o mercado? Deve ser a produção, por todo o país, ou deve estar nas mãos de uma grande empresa?” perguntou, expressando o desejo que através da investigação financiada com dinheiros públicos seja possível separar o debate entre a ciência da engenharia genética e os grandes negócios das multinacionais agrícolas.

A Noruega tem os seus próprios objectivos em agricultura sustentável. Actualmente 5,7% da terra está dedicada à produção biológica, mas o governo espera aumentar esse valor para os 15%.

Além disso, o Parlamento Norueguês aprovou recentemente o Livro Branco do seu Ministério, que relaciona a política agrícola com as alterações climáticas. A Noruega vai gerir a camada arável do solo, vai procurar utilizar melhor os recursos florestais para diminuir os níveis de dióxido de carbono, vai tentar desenvolver o biogás, vai providenciar investigação específica sobre pragas e doenças das plantas, e vai contribuir com 0,1 % das vendas de sementes na Noruega para um fundo internacional destinado a assegurar que os benefícios do material genético das plantas são partilhados com os países em vias de desenvolvimento.

“Devemos tentar encontrar soluções equilibradas [para as alterações climáticas]. Compreendo perfeitamente que a Índia deve ter a possibilidade de crescer. O ponto de partida é nos países ricos. Nós temos de encontrar a maneira.”

Brekk estava na Índia para uma conferência sobre biodiversidade e alterações climáticas, e irá encontrar-se com o seu homólogo em Deli na próxima semana.

2010/02/16

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