Para onde foram as abelhas?

Para onde foram as abelhas?

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DESAPARECIMENTO MASSIVO E MISTERIOSO DAS ABELHAS NOS ESTADOS UNIDOS

Por Jean – Louis SANTINI

WASHINGTON (APF) – A inquietação dos americanos cresce após o desaparecimento misterioso de milhões de abelhas nestes últimos meses. Esta hecatombe ameaça a produção nacional de mel e as colheitas que dependem do papel chave realizada por estes insectos.

As perdas das abelhas vão de 30 a 60% na Califórnia e ultrapassam 70% nas regiões da costa leste e no Texas. No total 24 Estados estão afectados assim como duas províncias canadianas, segundo as estimativas do departamento americano da Agricultura (USDA).

O desaparecimento de até 20% da população de uma colmeia no Inverno é considerada normal, mas acima disso os apicultores preocupam-se porquanto as colónias de abelhas domésticas estão em diminuição constante nos Estados Unidos desde 1985.

Segundo o USDA, actualmente há 2,4 milhões de colmeias no país, uma baixa de 25% desde os princípios dos anos 80, enquanto o número de apicultores profissionais se reduziu a metade no mesmo período.

A amplitude desta última vaga massiva do desaparecimento das abelhas, considerada sem precedentes, levou a comunidade apícola americana a pedir a ajuda do Congresso numa audição recente em Washington.

“Cerca de 40% das abelhas das minhas 2 000 colmeias estão mortas e é a mais forte mortalidade que observei nos meus trinta anos de apicultor”, explicou Gene Brandi, presidente do agrupamento dos apicultores da Califórnia na última semana a uma sub-comissão agrícola da Câmara dos Representantes.

As abelhas domésticas são essenciais para a polinização de mais de 90 variedades de frutos e legumes (batatas, abacate, mirtilos, cerejas,…) das colheitas estimadas em 15 mil milhões de dólares por ano, dos quais 6 mil milhões dizem respeito à Califórnia, sublinhou ele.

A cultura da amêndoa neste Estado gera 2 mil milhões de dólares e depende de 1,4 milhões de enxames trazidos de todo o lado pelos apicultores, precisou Gene Brandi.

Diana Cox-Foster, professora de entomologia na Universidade da Pensilvânia, explicou perante a mesma sub-comissão que este novo problema de despovoamento massivo das colmeias, baptizado CCD (em inglês: Colony Collapse Disorder), apresenta sintomas únicos, diferentes daqueles observados nas infestações frequentes pelo parasita Varroa jacobsoni, um ácaro que destrói as larvas.

Ela declarou que, no caso do CCD, as colónias de abelhas domésticas sadias se despovoam subitamente deixando poucas ou nenhuma abelha sobrevivente.

As rainhas – uma por colmeia e que asseguram a reprodução – são encontradas com um punhado de abelhas adultas jovens e com reservas importantes de alimento. Nunca foram encontrados os cadáveres das abelhas no interior da colmeia ou nas proximidades, no exterior.

O facto de outras abelhas ou parasitas levarem muito tempo para se instalarem nas colmeias esvaziadas pelo CCD faz pensar na presença de um produto químico ou de uma toxina que desencoraja estes insectos, julga Diana Cox-Foster.

Enfim, sublinhou esta entomóloga, as abelhas encontradas nas colónias devastadas por este flagelo misterioso estão todas infectadas com uma multiplicidade de microrganismos dos quais um grande número é conhecido por ser responsável por doenças comummente ligadas ao stress destes insectos.

Ela declarou ainda que os cientistas que se debruçam sobre o CCD avançam a hipótese de um novo agente patogénico ou de um produto químico que enfraquecerá o sistema imunitário das abelhas.

A entomóloga sublinhou também que suspeitam sobretudo dos insecticidas agrícolas como os neonicotinóides, muito utilizados e cuja toxicidade para as abelhas é bem conhecida.

Nos anos 90 a França conheceu um caso de despovoamento brutal atribuído ao insecticida Gaúcho, que foi proibido neste país.

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